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Alexandra Edison no Centro Cultural de Cascais

Salvato Teles de Menezes, presidente e director delegado da Fundação D. Luís I, partilha como surgiu a ideia de trazer as fotografias de Alexandra Hedison ao Centro Cultural de Cascais. A exposição Everybody Knows This Is Nowhere inaugura em Outubro de 2016 e já está em fase de produção.

Porquê trazer o trabalho fotográfico de Alexandra Hedison a Cascais, que tanto difere da tradição da fotografia americana que conhecemos?
Foi, exactamente, por não se tratar de um qualquer trabalho fotográfico que o escolhi. Uma amiga americana chamou-me a atenção porque tinha visto uma exposição da Alexandra Hedison, nos Estados Unidos da América (EUA). Fui recolher informação e descobri que havia alguns aspectos que a distinguiam claramente de uma tradição da fotografia americana mainstream que se dedica principalmente ao retrato. Nós já aqui expusemos, em alguns casos com a colaboração da Terra Esplêndida enquanto produtora, essa dimensão.

E que dimensão encontrou no trabalho da Alexandra Hedison?
Há uma dimensão conceptual que me interessou porque vem ao arrepio daquilo que é habitual. O que eu estava à espera quando fui procurar a obra da Alexandra Hedison é que fosse encontrar mais uma fotógrafa que se debruçava sobre esses aspectos da condição humana dos EUA, das minorias e maiorias que são sempre elementos importantes dessa tradição fotográfica. Mas não. Encontrei até algumas referências de uma corrente estética de que de sou grande apreciador: o expressionismo. Há um lado expressionista na sua obra que me agradou particularmente. E daí eu ter contactado com ela, tê-la convidado para vir cá.

Como foi esse encontro?
Ficou encantada com Cascais e num fim de tarde na estrada do Guincho muito impressionada com nuvens de configurações muito estranhas. Até fotografou o céu. Encontrei nela uma agilidade de resposta a situações concretas. Nunca nos tínhamos visto antes, mas entendemo-nos muito bem. Veio ao Centro Cultural de Cascais e eu disse-lhe qual seria o espaço de exposição. Ela pediu-me quinze minutos sozinha no espaço para o estudar. Depois voltámos a reunir no escritório e disse-me que já tinha uma ideia muito precisa daquilo que ia fazer em termos de montagem. Avançou com uma série de propostas que me pareceram extraordinariamente adequadas, tendo em conta aquilo que eu tinha visto que era a sua obra. Aquela capacidade, que eu tinha suspeitado existir através da observação das suas fotografias, manifestava-se também no modo como Alexandra Hedison encarava o espaço que lhe estava a ser disponibilizado para expor as suas obras. Isso é um aspecto digno de registo, por ser revelador de uma personalidade organizada e arguta.

Expor este tipo de trabalho fotográfico é provocar, educar ou aliciar o público do Centro Cultural de Cascais?
Em termos das exposições organizadas no Centro Cultural de Cascais nós temos sempre procurado representar não só mainstream mas também outras manifestações mais laterais, que têm muita importância para o quadro contemporâneo, sobretudo na área da fotografia. De facto o público até pode sentir-se provocado, porque a obra da Alexandra Hedison não é fácil. Exige que as pessoas pensem. Mas o nosso papel de gestores culturais também é esse. Todos os anos temos duas grandes exposições de fotografia que, creio, marcam bem as propostas que existem anualmente nesse campo, em Portugal. Temos tido aqui, de facto, grandes fotógrafos, grandes obras e com repercussões muito boas. Neste caso, será algo mais exigente do ponto de vista da reflexão sobre o que é a fotografia. Mas, estou convencido de que o resultado vai ser positivo.

É também uma exposição para artistas e profissionais?
Também é. Já falei com alguns fotógrafos portugueses por quem tenho grande estima, para os alertar para esta exposição, e já tive algumas reacções muito positivas. Portanto creio que vai ser um êxito.

Como se iniciou o processo de produção da exposição?
Falei com o Rui Pereira (Terra Esplêndida). Expliquei que havia esta situação e que era preciso desenvolver todos os aspectos relacionados com a produção e a preparação da exposição. A larga experiência que a Terra Esplêndida tem, sobretudo no campo da fotografia, é desde logo uma garantia de que as coisas vão correr bem. Por exemplo, nós estamos em Março e em Janeiro a Terra Esplêndida já me estava a transmitir informações sobre, por exemplo, a questão dos seguros, entretanto resolvida. Já está tudo em andamento e preparado para que a exposição seja, acima de tudo, um acontecimento artístico que tenha um bom retorno cultural.

Há a possibilidade da exposição entrar em itinerância. É recorrente as exposições que inauguram e são concebidas e pensadas para o Centro Cultural de Cascais seguirem para itinerância?
Em vários casos, sim. A exposição de Sam Shaw começou aqui a sua itinerância europeia. Relativamente à de Alexandra Hedison já sei que a Terra Esplêndida está a tratar dos pormenores com uma produtora espanhola (com quem trabalhamos frequentemente e a quem propus que a exposição fosse para Espanha) para que a coisa prossiga. De facto, não é raro que tenhamos exposições e que depois partam daqui para outros lugares.

Veja o teaser da exposição.

Salvato Teles de Menezes

Professor universitário, escritor, tradutor, consultor editorial, colaborador de rádios (RDP1 e 2 e Renascença) e televisão portuguesa (RTP2), director de festivais de cinema e júri de diferentes prémios nas áreas da literatura e do cinema, Salvato Teles de Menezes conta com um vasto curriculum em diversas áreas da cultura, em particular da vila de Cascais, tendo também desempenhado cargos no âmbito do Ministério da Cultura. Foi, de 1995 a 2012, administrador-delegado da Fundação D. Luís I e é, desde 2013, o seu presidente e director delegado.

Apresentação de Everybody Knows This Is Nowhere na Diane Rosenstein Fine Art, Beverly Hills, Califórnia, EUA.