{"id":6614,"date":"2016-05-31T21:42:50","date_gmt":"2016-05-31T21:42:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.terraesplendida.com\/?p=6614"},"modified":"2020-04-15T19:52:13","modified_gmt":"2020-04-15T19:52:13","slug":"os-segredos-de-a-luz-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.terraesplendida.com\/pt-pt\/os-segredos-de-a-luz-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Os segredos de A Luz de Lisboa em retrospectiva"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\" id=\"wpb-content-root\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_single_image image=&#8221;6615&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221;][vc_column_text]<strong>A Luz de Lisboa maravilhou pela capacidade de expor uma multiplicidade de perspectivas sobre a t\u00e3o elogiada luz da cidade. Cerca de 18.000 pessoas visitaram a exposi\u00e7\u00e3o que decorreu a par do Ano Internacional da Luz. Joana Sousa Monteiro, directora do <a href=\"https:\/\/www.museudelisboa.pt\/exposicoes-actividades\/detalhe\/news\/a-luz-de-lisboa.html?tx_news_pi1%5Bcontroller%5D=Event&amp;tx_news_pi1%5Baction%5D=eventDetail&amp;cHash=0251d6baf31aa5ff75b1fc0154086508\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Museu de Lisboa<\/a>, fala-nos da arriscada e ambiciosa exposi\u00e7\u00e3o e dos seus resultados.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A exposi\u00e7\u00e3o A Luz de Lisboa fechou recentemente. Depois de oito meses de exposi\u00e7\u00e3o o balan\u00e7o \u00e9 positivo?<br \/>\n<\/strong>O balan\u00e7o \u00e9 mesmo muito positivo. Foi uma exposi\u00e7\u00e3o muito especial para o Museu de Lisboa e para mim, pessoalmente, tamb\u00e9m. Especial, porque marca um momento de viragem da evolu\u00e7\u00e3o deste Museu j\u00e1 iniciada em 2014, mas assumido com outra envergadura em 2015; porque o acolhimento do p\u00fablico foi muito bom, tanto em termos de n\u00famero de pessoas, como, sobretudo, no que diz respeito \u00e0s reac\u00e7\u00f5es de portugueses e estrangeiros, de franco entusiasmo e encantamento.<\/p>\n<p><strong>A Luz de Lisboa<em> tornou-se<\/em> \u201cmais clara\u201d para o p\u00fablico que a visitou?<br \/>\n<\/strong>Tornou-se, de facto. Para o p\u00fablico que a visitou e para n\u00f3s que a desenvolvemos e produzimos. Dos coment\u00e1rios mais frequentes \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o foi precisamente o que se podia aprender na exposi\u00e7\u00e3o sobre a luz, cruzando a perspectiva cient\u00edfica com a art\u00edstica e cultural. H\u00e1, realmente, motivos f\u00edsicos, da natureza da luz natural que banha Lisboa e da pr\u00f3pria meteorologia habitual em Lisboa que ajudam a explicar porque \u00e9 que a luz de Lisboa \u00e9 t\u00e3o l\u00edmpida, clara, e, para n\u00f3s, \u201cbonita\u201d. O n\u00famero de horas de sol descoberto, os ventos que temos, a topografia da cidade, a latitude e a proximidade do rio s\u00e3o factores essenciais. Mas s\u00f3 o s\u00e3o em pleno quando coincidem com os materiais e as cores que t\u00eam sido maioritariamente usados em Lisboa, tais como a branca cal\u00e7ada portuguesa no pavimento, as cores amareladas ou ocres e rosas nas fachadas e os azulejos de exterior.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um longo percurso de investiga\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegarmos ao resultado &#8220;exposi\u00e7\u00e3o&#8221;. Acompanhou todo o processo\u2026 como foi essa<\/strong> <strong>experi\u00eancia?<br \/>\n<\/strong>Foi uma experi\u00eancia de aprendizagem para mim, como creio ter sido para todos os que se envolveram no projecto. Diria mesmo que foi uma sorte poder ter aprendido com cientistas especialistas em f\u00edsica com val\u00eancias distintas e complementares entre eles. Foi tamb\u00e9m excelente ter visto de outros modos imagens, objectos e paisagens urbanas, com a ajuda dos especialistas em cinema e em fotografia com quem tivemos o gosto de trabalhar. Como acontece em outros projectos, come\u00e7\u00e1mos com muitas d\u00favidas, e termin\u00e1mos com mais d\u00favidas ainda, embora tamb\u00e9m com respostas muito interessantes. Posso dizer-lhe que passei, eu pr\u00f3pria, como de resto os comiss\u00e1rios e outras pessoas da equipa, a ver a cidade atrav\u00e9s da sua luz, com outros olhos.<\/p>\n<p><strong>Conciliar diferentes linguagens nesta exposi\u00e7\u00e3o multidisciplinar, cruzando di\u00e1logos entre as ci\u00eancias e as artes exige um vasto n\u00famero de colaboradores. Como foi \u201cedificar\u201d este arriscado projecto sobre algo que n\u00e3o se pode expor, como refere no seu texto publicado no cat\u00e1logo?<br \/>\n<\/strong>A ideia era, de facto, arriscada, mas acabou por correr muito bem porque tivemos a sorte de encontrar uma equipa excelente, dedicada e que nunca desistiu de procurar as melhores solu\u00e7\u00f5es, desde logo a come\u00e7ar pelos comiss\u00e1rios Ana Eir\u00f3 e Ac\u00e1cio de Almeida. Foi depois necess\u00e1rio ir chamando consultores, tanto para as \u00e1reas cient\u00edficas como para as artes e, ainda, para a parte da publicidade, a direc\u00e7\u00e3o do programa Imagens de Marca, que tamb\u00e9m se juntou com muito entusiasmo a este projecto expositivo, sendo que \u00e9 ainda de referir o excelente trabalho do designer Carlos B\u00e1rtolo que acompanhou todo o processo. N\u00e3o dir\u00edamos que foi f\u00e1cil, mas podemos afirmar que as recorda\u00e7\u00f5es das sess\u00f5es de trabalho s\u00e3o de prof\u00edcuo trabalho de equipa, de aprendizagem colectiva, de surpresas, de encontros.<\/p>\n<p><strong>Qual o feedback do p\u00fablico em termos do espa\u00e7o expositivo e da \u201carquitectura\u201d da exposi\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/strong>O espa\u00e7o do primeiro andar do Torre\u00e3o Poente \u00e9 muito especial, n\u00e3o s\u00f3 pelas caracter\u00edsticas patrimoniais do edif\u00edcio, como pela sua localiza\u00e7\u00e3o \u00fanica, de frente para o Terreiro do Pa\u00e7o e de frente para o Tejo. Dado o tema da exposi\u00e7\u00e3o, quisemos, equipa curatorial e designer, tirar o m\u00e1ximo partido das fabulosas janelas do edif\u00edcio, de modo a que o que estava \u201cdentro\u201d pudesse ter continuidade com o que se via \u201cfora\u201d. E, a avaliar pelos muitos coment\u00e1rios do p\u00fablico nacional e estrangeiro, parece ter sido um objectivo atingido, mesmo nos dias mais cinzentos do Inverno. Claro que o facto de o edif\u00edcio estar claramente a necessitar de obras de restauro e de adapta\u00e7\u00e3o a museu &#8211; o que tencionamos conseguir fazer em breve -, faz com que existam algumas quest\u00f5es espaciais que tornam dif\u00edcil ali conceber e montar exposi\u00e7\u00f5es, embora estes sejam aspectos largamente suplantados pela beleza do local e da sua posi\u00e7\u00e3o na baixa lisboeta.<\/p>\n<p><strong>Depois de um desafio como este, que projectos\/ideias est\u00e3o na calha?<br \/>\n<\/strong>Este desafio enquadra-se num outro muito mais vasto que \u00e9 o da remodela\u00e7\u00e3o de um museu municipal, j\u00e1 centen\u00e1rio, num museu de cidade moderno e atractivo. Os projectos s\u00e3o muitos, tanto para os quatro restantes espa\u00e7os do Museu de Lisboa, nomeadamente para o Pal\u00e1cio Pimenta (n\u00facleo principal), como para o pr\u00f3prio Torre\u00e3o Poente do Terreiro do Pa\u00e7o onde, j\u00e1 este ano, ir\u00e1 inaugurar a primeira exposi\u00e7\u00e3o internacional sobre Lisboa e uma outra cidade do mundo. O mais s\u00e3o surpresas\u2026<\/p>\n<p><strong>Como surgiu a oportunidade de trabalhar com a TE?<\/strong><br \/>\nA oportunidade de trabalhar com a TE surgiu naturalmente devido ao seu trabalho anterior com as Galerias Municipais de Lisboa que j\u00e1 tinha sido muito positivo. Dada a necessidade de termos um apoio para produ\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria exposi\u00e7\u00e3o, para os eventos associados e para o acolhimento dos visitantes e a monitoriza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da exposi\u00e7\u00e3o, contact\u00e1mos a TE para se associar a n\u00f3s neste projecto.<\/p>\n<p><strong>Qual a mais-valia de ter a TE enquanto produtora?<\/strong><br \/>\nDa nossa experi\u00eancia, diria que h\u00e1 essencialmente duas mais-valias: a de ter um apoio profissional e proactivo na produ\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o em tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio executar e controlar, que complementa os conte\u00fados e o design expositivo que n\u00f3s asseguramos; e a de poder contar com um acompanhamento permanente no decorrer da exposi\u00e7\u00e3o, das reac\u00e7\u00f5es do p\u00fablico, dos pequenos problemas para resolver, bem como da rela\u00e7\u00e3o com a comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong>Joana Sousa Monteiro <\/strong>\u00e9 muse\u00f3loga. \u00c9 directora do Museu de Lisboa desde Fevereiro de 2015. Foi assessora da Vereadora da Cultura da C\u00e2mara Municipal de Lisboa para a \u00e1rea dos museus e do patrim\u00f3nio (2010-2015). Foi Coordenadora-adjunta da Rede Portuguesa de Museus no Instituto Portugu\u00eas de Museus (2000 a 2010), t\u00e9cnica do Instituto de Arte Contempor\u00e2nea (1997-2000) e colaboradora em dois projectos do Museu do Chiado (1994).<br \/>\n\u00c9 licenciada em Hist\u00f3ria, variante Hist\u00f3ria da Arte (Universidade Nova), p\u00f3s-graduada em Museologia (Universidade Lus\u00f3fona), e p\u00f3s-graduada em Gest\u00e3o e Empreendedorismo Cultural e Criativo (ISCTE), sendo docente convidada na \u00e1rea da gest\u00e3o de museus (Mestrado de Museologia, Universidade Nova). \u00c9 autora de diversos artigos na \u00e1rea da museologia, membro da direc\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional Portuguesa do Conselho Internacional de Museus-ICOM (ICOM Portugal), e da direc\u00e7\u00e3o do Comit\u00e9 Internacional de Museus de Cidade do ICOM (CAMOC).[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_single_image image=&#8221;6615&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; add_caption=&#8221;yes&#8221;][vc_column_text]A Luz de Lisboa maravilhou pela capacidade de expor uma multiplicidade de perspectivas sobre a t\u00e3o elogiada luz da cidade. 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